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Questões de EFAF Filosofia - Temática - Filosofia Africana

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7 Questões

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Questão 14 10727355
Fácil

CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Antropologia Filosófica Filosofia Africana

TEXTO

 

Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar

28 de abril de 2015

 

    (...)

    A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,

[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.

    Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

    O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma

[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

    — Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

    Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,

[20] certo?

    Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.

    “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,

[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.

    Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre

[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.

    Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam

[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano

narcisismo: amor excessivo a si mesmo

detrimento: prejuízo

Tendo em vista o texto, assinale o item em que o segundo fragmento é a consequência do primeiro.

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Questão 13 10727354
Fácil

CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Ética Filosofia Africana

TEXTO I

 

Ubuntu: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência

 

24 de setembro de 2014 ]

Natália da Luz, Por dentro da África

 

Rio — Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada

[5] quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos.

— De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia — detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). (...)

[10] — No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “ser-com-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. (...)

Disponível em: htpp://www.pordentrodaafrica.com Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

pilares: bases

implica: dá a entender

prescreve: determina

 

TEXTO II

 

Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar

28 de abril de 2015

 

    (...)

    A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,

[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.

    Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

    O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma

[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

    — Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

    Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,

[20] certo?

    Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.

    “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,

[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.

    Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre

[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.

    Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam

[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano

narcisismo: amor excessivo a si mesmo

detrimento: prejuízo

 

TEXTO III

 

Negrinho do pastoreio

 

    Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.

    Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta

[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.

    O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.

[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:

    — 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!

    O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,

[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?

    Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:

    — O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!

[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.

    Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já  era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
    Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi

[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.

    — Onde está o cavalo?

    — Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...

    — Mas o quê, garoto?

    — Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,

[30] senhor.

    — Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
    O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.

[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.

    Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
    — Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos

[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.

    Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.

    Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.

[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.

    E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
    Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de

[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.

SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.

 

Vocabulário do texto

baio: castanho, que tem a cor do ouro

estancieiro: proprietário de fazenda

Tendo em vista os três textos, conclui-se que:

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Questão 11 10727352
Fácil

CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Ética Filosofia Africana

TEXTO I

 

Ubuntu: a filosofia africana que nutre o conceito de humanidade em sua essência

 

24 de setembro de 2014 ]

Natália da Luz, Por dentro da África

 

Rio — Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada

[5] quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos.

— De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”. Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia — detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). (...)

[10] — No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “ser-com-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. (...)

Disponível em: htpp://www.pordentrodaafrica.com Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

pilares: bases

implica: dá a entender

prescreve: determina

 

TEXTO II

 

Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar

28 de abril de 2015

 

    (...)

    A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,

[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.

    Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

    O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma

[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

    — Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

    Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,

[20] certo?

    Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.

    “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,

[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.

    Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre

[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.

    Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam

[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano

narcisismo: amor excessivo a si mesmo

detrimento: prejuízo

 

TEXTO III

 

Negrinho do pastoreio

 

    Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.

    Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta

[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.

    O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.

[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:

    — 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!

    O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,

[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?

    Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:

    — O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!

[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.

    Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já  era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
    Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi

[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.

    — Onde está o cavalo?

    — Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...

    — Mas o quê, garoto?

    — Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,

[30] senhor.

    — Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
    O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.

[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.

    Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
    — Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos

[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.

    Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.

    Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.

[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.

    E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
    Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de

[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.

SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.

 

Vocabulário do texto

baio: castanho, que tem a cor do ouro

estancieiro: proprietário de fazenda

Em relação à linguagem, pode-se afirmar que:

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Questão 9 10727347
Fácil

CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Ética Filosofia Africana

TEXTO I

 

Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar

28 de abril de 2015

 

    (...)

    A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,

[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.

    Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

    O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma

[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

    — Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

    Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,

[20] certo?

    Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.

    “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,

[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.

    Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre

[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.

    Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam

[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano

narcisismo: amor excessivo a si mesmo

detrimento: prejuízo

 

TEXTO II

 

Negrinho do pastoreio

 

    Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.

    Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta

[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.

    O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.

[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:

    — 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!

    O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,

[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?

    Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:

    — O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!

[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.

    Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já  era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
    Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi

[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.

    — Onde está o cavalo?

    — Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...

    — Mas o quê, garoto?

    — Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,

[30] senhor.

    — Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
    O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.

[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.

    Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
    — Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos

[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.

    Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.

    Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.

[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.

    E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
    Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de

[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.

SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.

 

Vocabulário do texto

baio: castanho, que tem a cor do ouro

estancieiro: proprietário de fazenda

Observe a pontuação dos textos I e II e assinale a opção correta:

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Questão 8 10727346
Fácil

CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Antropologia Filosófica Filosofia Africana

TEXTO I

 

Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar

28 de abril de 2015

 

    (...)

    A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,

[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.

    Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

    O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma

[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

    — Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

    Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,

[20] certo?

    Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.

    “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,

[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.

    Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre

[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.

    Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam

[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano

narcisismo: amor excessivo a si mesmo

detrimento: prejuízo

 

TEXTO II

 

Negrinho do pastoreio

 

    Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.

    Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta

[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.

    O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.

[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:

    — 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!

    O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,

[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?

    Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:

    — O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!

[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.

    Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já  era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
    Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi

[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.

    — Onde está o cavalo?

    — Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...

    — Mas o quê, garoto?

    — Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,

[30] senhor.

    — Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
    O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.

[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.

    Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
    — Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos

[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.

    Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.

    Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.

[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.

    E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
    Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de

[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.

SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.

 

Vocabulário do texto

baio: castanho, que tem a cor do ouro

estancieiro: proprietário de fazenda

Assinale a alternativa correta em relação à estrutura dos textos I, II e III.

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Questão 4 10727342
Fácil

CMJF 6° Ano - Prova de Língua Portuguesa (Prova 1) 2017
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Temática
  • Ética Filosofia Africana

TEXTO I

 

Ubuntu, o que a África tem a nos ensinar

28 de abril de 2015

 

    (...)

    A jornalista e filósofa Lia Diskin, durante o Festival Mundial da Paz, ocorrido em Florianópolis, em 2006, contou o seguinte caso de uma tribo na África: “Um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo Ubuntu e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Como tinha muito tempo ainda até o embarque, ele propôs,

[5] então, uma brincadeira para as crianças que achou ser inofensiva.

    Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, colocou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e colocou debaixo de uma árvore. Ai ele chamou as crianças e combinou que, quando ele dissesse 'já!”, elas deveriam sair correndo até o cesto e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

[10] As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse 'Já!, instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces
entre si e a comerem felizes.

    O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma

[15] só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces. Elas simplesmente responderam:

    — Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?”

    Ele ficou pasmo. Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição,

[20] certo?

    Ubuntu significa: “Eu sou porque nós somos” ou, em outras palavras, “Eu só existo porque nós existimos”.

    “Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?” A resposta singela da criança é profunda e vital, pois está carregada de valores como respeito, cortesia,

[25] solidariedade, compaixão, generosidade, confiança — enfim, tudo aquilo que nos torna humanos e garante uma convivência harmoniosa em sociedade.

    Ubuntu exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade. É, ao mesmo tempo, um conceito moral, uma filosofia e um modo de viver que se opõe ao narcisismo e ao individualismo tão comuns em nossa sociedade ocidental capitalista. Enquanto a ideia europeia sobre

[30] a natureza humana baseia-se na ideia de liberdade, de que os indivíduos têm o poder da livre escolha, a ideia africana do ubuntu repousa sobre a ideia da comunidade, de que pessoas dependem de outras pessoas para serem pessoas.

    Segundo o espírito de ubuntu, as pessoas não devem levar vantagem pessoal em detrimento do bem-estar do grupo. Para que uma pessoa seja feliz será preciso que todas do grupo se sintam

[35] felizes. Estamos conectados uns com os outros e essa relação estende-se aos ancestrais e aos que ainda nascerão.

Disponível em: http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/ubuntu-o-que-a-africa-tem-a-nos-ensinar/ Acesso em 29 de agosto de 2017.

 

Vocabulário do texto

antropólogo: aquele que estuda sobre o ser humano

narcisismo: amor excessivo a si mesmo

detrimento: prejuízo

 

TEXTO II

 

Negrinho do pastoreio

 

    Há muitos anos, no tempo da escravidão, trabalhava em uma grande fazenda no Rio Grande do Sul um negrinho miúdo e fraquinho, mas muito habilidoso. O seu patrão era um homem malvado e obrigava o garoto a fazer todo tipo de trabalho.

    Certa vez, no inverno, num frio de rachar, ele mandou o garoto pastorear seus trinta

[5] cavalos. Mas avisou que tivesse atenção especial com o cavalo baio, que era o mais valioso da fazenda.

    O negrinho passou o dia todo bem longe da estância, pastoreando os animais. No caminho de volta, no final da tarde, com muito frio e fome, resolveu parar um pouquinho para descansar e ... acabou dormindo.

[10] Quando o menino acordou, ficou assustado: raios riscavam o céu, anunciando uma grande tempestade, e os cavalos tinham fugido. Com dificuldade, debaixo de muita chuva, conseguiu reuni-los e, para ter certeza de que estavam todos ali, começou a contar:

    — 1,2,83, 4... 29...297?! Ops! Está faltando um! E é o cavalo baio!

    O negrinho procurou o cavalo fugitivo por muito tempo, mas não o encontrou. Então,

[15] resolveu levar os outros 29 de volta para a estância. Já imaginou se mais algum se perdesse?

    Chegando lá, o estancieiro logo notou a ausência de seu valioso cavalo baio e ficou furioso:

    — O que você fez com o baio? Ah, provavelmente vendeu o cavalo por uns míseros trocados, né? Seu ladrãozinho barato! Mas você vai trazê-lo de volta!

[20] Em seguida, pegou o chicote e deu uma surra daquelas no pobre menino.

    Debaixo de chuva, e com muito medo e chorando, o menino saiu à procura do animal. Já  era madrugada quando encontrou o baio pastando. Ele o laçou, mas o nó se desfez e o cavalo fugiu novamente.
    Quando chegou à fazenda sem ter conseguido capturar o animal, o negrinho foi

[25] recepcionado com a fúria do seu malvado patrão.

    — Onde está o cavalo?

    — Eu encontrei o baio pastando, cheguei a laçá-lo, mas...

    — Mas o quê, garoto?

    — Mas não consegui segurar o laço e ele escapou de novo. Eu trago ele de volta amanhã,

[30] senhor.

    — Amanhã? Coisa nenhuma! Você está mentindo e será castigado.
    O homem cruel bateu muito no garoto. Depois, o amarrou num tronco e o colocou sobre um formigueiro. Que malvadeza! O negrinho chorou muito e, depois de sofrer a noite inteira, deu um suspiro e morreu.

[35] No dia seguinte, o fazendeiro acordou e foi olhar o negrinho. O menino estava lá, em pé, sem nenhum arranhão ou cicatriz das chicotadas nem marcas de picadas de formiga. Ao seu lado, a imagem de uma santa e, mais adiante, o baio e os outros 29 cavalos.

    Então, o estancieiro se jogou ao chão e implorou ao negrinho e à santa:
    — Perdoem-me! Perdoem-me! Eu prometo mudar... Prometo ser bom e ajudar aos

[40] necessitados... Prometo tudo o que quiserem.

    Sem dizer uma palavra, o negrinho montou no cavalo baio e partiu, ninguém sabe para onde.

    Os comentários sobre a morte do pequeno escravo logo se espalharam pela região e as pessoas começaram a acender velas pela alma do bom negrinho.

[45] Desde então, muitos recorrem a ele quando precisam de ajuda. E comum, por exemplo, ouvir histórias de gente que fez algum pedido e foi atendido.

    E tem mais! Tropeiros e peões, que viajam à noite, relatam aos seus amigos e familiares terem visto o negrinho cavalgando, passeando pelos Pampas.
    Na tradição gaúcha, acredita-se que o negrinho do pastoreio se tomou uma espécie de

[50] anjo bom; e as pessoas pedem sua ajuda quando precisam encontrar objetos perdidos.

SOUSA, Mauricio de. Lendas Brasileiras. São Paulo: Ed. Mauricio de Sousa, 2009, p. 121-136.

 

Vocabulário do texto

baio: castanho, que tem a cor do ouro

estancieiro: proprietário de fazenda

Nos textos I e II, no que diz respeito ao espaço geográfico, ou seja, ao local onde se passa a narrativa, pode-se dizer que:

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