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Questões de EFAF Filosofia - Filosofia antiga - Pólis e Razão

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11 Questões

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Questão 5 10618274
Fácil

IFPE MÉDIO INTEGRADO 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Filosofia Política Pólis e Razão

TEXTO

 

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

 

    De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada. ‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade.

    O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.

    O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

    Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.

    A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastarlhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

    Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

    Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.

    Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.

    Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)

(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)

Das ideias do texto, são feitas as seguintes inferências:

 

I – Tanto a jardinagem quanto a política, ou qualquer outra vocação, se transformadas em profissão, passam a ser movidas por interesses individuais;

II – Mesmo que o sofrimento aumente ao seu redor, o político por profissão usa o bem coletivo em função dos interesses pessoais;

III – Segundo Guimarães Rosa, os verdadeiros políticos acreditam no homem e no futuro.

 

É CORRETO o que se afirma em

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Questão 5 10258087
Fácil

IFSertãoPE 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Filosofia Política Pólis e Razão

TEXTO

 

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

 

De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
    ‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.

    O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim. Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um  político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.
    A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.
    Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.
    Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.
    Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos,  acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.

    Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)

(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)

Das ideias do texto, são feitas as seguintes inferências:

 

I – Tanto a jardinagem quanto a política, ou qualquer outra vocação, se transformadas em profissão, passam a ser movidas por interesses individuais;
II – Mesmo que o sofrimento aumente ao seu redor, o político por profissão usa o bem coletivo em função dos interesses pessoais;
III –Segundo Guimarães Rosa, os verdadeiros políticos acreditam no homem e no futuro.

 

É CORRETO o que se afirma em

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Questão 11 10190257
Fácil

IFCE* 1° Ano 2011/2
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Filosofia da Educação Pólis e Razão

TEATRO E ESCOLA: O PAPEL DE EDUCAR

 

    Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem atividades completamente
diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente
“sérios”, o teatro se configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens do teatro,
ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam juntos, mais do que se imagina.
[5]    O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com suas tragédias, Sófocles e
Eurípedes não visavam apenas à diversão da plateia mas também e, sobretudo, pôr em discussão certos temas que
dividiam a opinião pública naquele momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a
própria mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo rei)? Poderia uma mãe assassinar
os filhos e depois matar-se por causa de um relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova
[10] o caso da cruel mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar mais livremente)?
    Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores míticos, baseados na tradição religiosa, para os valores
da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e suas leis, o teatro cumpria um papel político e
pedagógico, à medida que punha em xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos
para a civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas diversão, mas uma forma de refletir sobre o
[15] destino da própria comunidade em que se vivia, bem como sobre valores coletivos e individuais.
    Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais (tragédia, comédia,
drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do teatro moderno? Para Bertolt Brecht, por exemplo,
um dos mais significativos dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso, suas
peças tiveram um papel essencialmente pedagógico, voltadas para a conscientização de trabalhadores e para a
[20] resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do século XX.
    O teatro, ao apresentar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas, trágicas, políticas,
sentimentais, etc – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu destino. Talvez na instantaneidade e na
fugacidade do teatro resida todo o encanto e sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e
exaltada. O teatro ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus holofotes a vida real,
[25] muito além dos palcos e dos camarins.
    Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem é inegável. A escola sempre teve muito a
aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e em linguagem própria, complementa o trabalho de
gerações de educadores, preocupados com a formação plena do ser humano.
    Quisera as aulas também pudessem ter o encanto do teatro: a riqueza dos cenários, o cuidado com os
[30] figurinos, o envolvimento da música, o brilho da iluminação, a perfeição do texto e a vibração do público. Vamos ao
teatro!

(Ciley Cleto, professora de Língua Portuguesa, em São Paulo)

No trecho “... não visavam apenas à diversão...” (linha 6), o acento indicativo de crase está corretamente empregado.

 

Isso não ocorreu na opção

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Questão 12 10190259
Médio

IFCE* 1° Ano 2011/2
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Estética Pólis e Razão

TEATRO E ESCOLA: O PAPEL DE EDUCAR

 

    Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem atividades completamente
diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente
“sérios”, o teatro se configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens do teatro,
ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam juntos, mais do que se imagina.
[5]    O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com suas tragédias, Sófocles e
Eurípedes não visavam apenas à diversão da plateia mas também e, sobretudo, pôr em discussão certos temas que
dividiam a opinião pública naquele momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a
própria mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo rei)? Poderia uma mãe assassinar
os filhos e depois matar-se por causa de um relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova
[10] o caso da cruel mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar mais livremente)?
    Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores míticos, baseados na tradição religiosa, para os valores
da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e suas leis, o teatro cumpria um papel político e
pedagógico, à medida que punha em xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos
para a civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas diversão, mas uma forma de refletir sobre o
[15] destino da própria comunidade em que se vivia, bem como sobre valores coletivos e individuais.
    Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais (tragédia, comédia,
drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do teatro moderno? Para Bertolt Brecht, por exemplo,
um dos mais significativos dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso, suas
peças tiveram um papel essencialmente pedagógico, voltadas para a conscientização de trabalhadores e para a
[20] resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do século XX.
    O teatro, ao apresentar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas, trágicas, políticas,
sentimentais, etc – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu destino. Talvez na instantaneidade e na
fugacidade do teatro resida todo o encanto e sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e
exaltada. O teatro ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus holofotes a vida real,
[25] muito além dos palcos e dos camarins.
    Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem é inegável. A escola sempre teve muito a
aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e em linguagem própria, complementa o trabalho de
gerações de educadores, preocupados com a formação plena do ser humano.
    Quisera as aulas também pudessem ter o encanto do teatro: a riqueza dos cenários, o cuidado com os
[30] figurinos, o envolvimento da música, o brilho da iluminação, a perfeição do texto e a vibração do público. Vamos ao
teatro!

(Ciley Cleto, professora de Língua Portuguesa, em São Paulo)

A forma verbal “Quisera” (linha 29), flexionada no pretérito mais-que-perfeito, foi empregada para

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Questão 8 10618311
Difícil

IFPE MÉDIO INTEGRADO 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Morfologia Temática
  • Filosofia Política Pólis e Razão Pronome Substantivo

TEXTO

 

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

 

    De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada. ‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade.

    O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.

    O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

    Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.

    A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastarlhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

    Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

    Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.

    Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.

    Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)

(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)

Leia o trecho abaixo:

 

    “Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão.”

 

Sobre aspectos morfossintáticos do fragmento destacado, julgue as análises a seguir e marque a alternativa que contém uma análise CORRETA.

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Questão 7 10618309
Difícil

IFPE MÉDIO INTEGRADO 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Gramática Temática
  • Acentuação gráfica Filosofia Política Pólis e Razão
  • Crase (acento grave)

TEXTO

 

SOBRE POLÍTICA E JARDINAGEM

 

    De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer ‘chamado’. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’, o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada. ‘Política’ vem de ‘polis’, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade.

    O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade. Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com o oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’ ele nos responderia: ‘A arte de jardinagem aplicada às coisas públicas’.

    O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

    Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.

    A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastarlhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

    Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

    Todas as vocações podem ser transformadas em profissões. O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento.

    Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Gunter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem”.

    Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

    Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. (...)

(ALVES, Rubem. In: Folha de S. Paulo, fragmento, 19 maio 2000.)

“A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade”.

 

Nesse período, o acento indicativo da crase só não seria mantido se substituíssemos o verbo “dedicar” por

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