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Questões de EFAF Filosofia - Filosofia antiga

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61 Questões

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Questão 4 10132656
Difícil

CMSM 1° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Morfologia Temática
  • Antropologia Filosófica Conjunções Mitologia

Leia o texto para responder ao item.


TEXTO 

Fonte: http://disneyandmore.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018.


Herói na contemporaneidade

 

    Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis.

    Recorro ao historiador de mitologia Joseph Campbell, que diferenciava as duas figuras públicas: o herói (figura pública antiga) e a celebridade (a figura pública moderna). Enquanto a celebridade se populariza por viver para si mesma, o herói assim se tornava por viver servindo sua comunidade. Todo super-herói deve atravessar alguma via-crúcis. Gandhi, líder pacifista indiano, disse que, quanto maior nosso sacrifício, maior será nossa conquista. Como Hércules, como Batman.

    Toda história em quadrinhos traz em si alguma coisa de industrial e marginal, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Os filmes de super-herói, ainda que transpondo essa cultura para a grande e famigerada indústria, realizam uma outra façanha, que provavelmente sem eles não ocorreria: a formação de novas mitologias reafirmando os mesmos ideais heroicos da Antiguidade: para o homem moderno. O cineasta italiano Fellini afirmou uma vez que Stan Lee, o criador da-editora; Marvel e de diversos heróis populares, era o Homero dos quadrinhos.

    Toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social. Homem-Aranha é um nerd, Hulk é um monstro amaldiçoado, Demolidor é um deficiente, os X-Men.são indivíduos excepcionais, Batman é um órfão, Super-Homem é um alienígena expatriado. São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humana. Não se ama um herói pelos seus poderes, mas pela sua dor. Nossos olhos podem até se voltar a eles por suas habilidades fantásticas, mas é na humanidade que eles crescem dentro do gosto popular. Os super-heróis que não sofrem ou simplesmente trabalham para o sistema vigente tendem a se tornar meio bobos, como o Tocha-Humana ou o Capitão América.

    Hulk e Homem-Aranha são seres que criticam a inconsequência da ciência, com sua energia atômica e suas experiências genéticas. Os X-Men nos advertem para a educação inclusiva. Super-Homem é aquele que mais se aproxima de Jesus Cristo, e por isso talvez seja o mais popular de todos, em seu sacrifício solitário em defesa dos seres humanos, mas também tem algo de Aquiles, com seu calcanhar que é a kriptonita. Humano e super-herói, como Gandhi.

    Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. Eu raramente as leio hoje em dia, mas quando assisto a bons filmes de super-heróis, eu lembro que todos temos um lado ingênuo e bom, que pode ser capaz de suportar a dor da solidão por um princípio.

CHUÍ, Fernando. Disponível em: http://fernandochui.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018. (Adaptado)

Glossário:
Via-crúcis: Série de 14 quadros que representam a caminhada de Jesus carregando a cruz e retratam seu sofrimento nas horas que antecederam seu julgamento e sua execução. [Por Extensão] Conjunto de experiências dolorosas, terríveis, dramáticas; martírio, tormento. Etimologia (origem da palavra via-crúcis): Do latim via Crucis, "caminho da cruz”.

As conjunções e as locuções conjuntivas são mediadoras de sentidos produzidos em textos. Nos períodos transcritos abaixo, os termos sublinhados ajudam a conduzir o conteúdo enunciado para o campo indicado em negrito.

 

Essa indicação só NÃO está correta em:

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Questão 1 10132587
Difícil

CMSM 1° Ano - Prova de Língua Portuguesa 2018
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Antropologia Filosófica Mitologia

Leia o texto para responder ao item.


TEXTO 

Fonte: http://disneyandmore.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018.


Herói na contemporaneidade

 

    Quando eu era criança, passava todo o tempo desenhando super-heróis.

    Recorro ao historiador de mitologia Joseph Campbell, que diferenciava as duas figuras públicas: o herói (figura pública antiga) e a celebridade (a figura pública moderna). Enquanto a celebridade se populariza por viver para si mesma, o herói assim se tornava por viver servindo sua comunidade. Todo super-herói deve atravessar alguma via-crúcis. Gandhi, líder pacifista indiano, disse que, quanto maior nosso sacrifício, maior será nossa conquista. Como Hércules, como Batman.

    Toda história em quadrinhos traz em si alguma coisa de industrial e marginal, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Os filmes de super-herói, ainda que transpondo essa cultura para a grande e famigerada indústria, realizam uma outra façanha, que provavelmente sem eles não ocorreria: a formação de novas mitologias reafirmando os mesmos ideais heroicos da Antiguidade: para o homem moderno. O cineasta italiano Fellini afirmou uma vez que Stan Lee, o criador da-editora; Marvel e de diversos heróis populares, era o Homero dos quadrinhos.

    Toda boa história de super-herói é uma história de exclusão social. Homem-Aranha é um nerd, Hulk é um monstro amaldiçoado, Demolidor é um deficiente, os X-Men.são indivíduos excepcionais, Batman é um órfão, Super-Homem é um alienígena expatriado. São todos símbolos da solidão, da sobrevivência e da abnegação humana. Não se ama um herói pelos seus poderes, mas pela sua dor. Nossos olhos podem até se voltar a eles por suas habilidades fantásticas, mas é na humanidade que eles crescem dentro do gosto popular. Os super-heróis que não sofrem ou simplesmente trabalham para o sistema vigente tendem a se tornar meio bobos, como o Tocha-Humana ou o Capitão América.

    Hulk e Homem-Aranha são seres que criticam a inconsequência da ciência, com sua energia atômica e suas experiências genéticas. Os X-Men nos advertem para a educação inclusiva. Super-Homem é aquele que mais se aproxima de Jesus Cristo, e por isso talvez seja o mais popular de todos, em seu sacrifício solitário em defesa dos seres humanos, mas também tem algo de Aquiles, com seu calcanhar que é a kriptonita. Humano e super-herói, como Gandhi.

    Não houve nenhuma literatura que tenha me marcado mais do que essas histórias em quadrinhos. Eu raramente as leio hoje em dia, mas quando assisto a bons filmes de super-heróis, eu lembro que todos temos um lado ingênuo e bom, que pode ser capaz de suportar a dor da solidão por um princípio.

CHUÍ, Fernando. Disponível em: http://fernandochui.blogspot.com. Acesso em: 20/09/2018. (Adaptado)

Glossário:
Via-crúcis: Série de 14 quadros que representam a caminhada de Jesus carregando a cruz e retratam seu sofrimento nas horas que antecederam seu julgamento e sua execução. [Por Extensão] Conjunto de experiências dolorosas, terríveis, dramáticas; martírio, tormento. Etimologia (origem da palavra via-crúcis): Do latim via Crucis, "caminho da cruz”.

Com base no texto, é possível afirmar que: 

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Questão 3 10775080
Difícil

UTFPR Inverno 2013/1
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Sócrates/Sofismo Teoria do Conhecimento

LEIA ATENTAMENTE O TEXTO A SEGUIR QUE SERVE DE BASE PARA A QUESTÃO.

 

É preciso rejeitar a despamonhalização da vida.

 

  Sempre que se fala em filosofia, imagina-se uma dedicação a coisas que são esotéricas, abstratas. Mas a filosofia nasce, na origem, a partir do autoconhecimento. É preciso lembrar aquele que é o grande pensador da Antiguidade, Sócrates. Uma de suas ideias centrais era a do “conhece-te a ti mesmo” que, aliás, era uma inscrição no templo de Apolo. Conhece-te a ti mesmo, saiba sobre si, tenha autoconhecimento. E, ao mesmo tempo, suspeite daquilo que é óbvio. A filosofia é a capacidade de pensar um pouco sobre os porquês das coisas, em vez de se contentar com os “comos”. A filosofia busca a capacidade de indagar.

  Nós vivemos em um mundo, especialmente por conta das plataformas digitais, em que a lógica é a do “tudo já, agora ao mesmo tempo junto”. Uma das coisas que leva à perda de noção de tempo e processo é o que chamo de despamonhalização da vida. Nós paramos de fazer pamonha e passamos a comprá-la pronta em nome de algo que é prático. Nem sempre o prático é o certo. Muitas vezes o prático é só o prático. É mais prático furtar do que trabalhar, colar do que estudar, copiar do que ter que pesquisar. Em nome do prático começamos a utilizar como critério tudo aquilo que é imediato. Quando se fazia pamonha, passávamos o dia inteiro juntos. Os homens saíam de manhã, iam buscar milho na roça, arrancavam a palha. As crianças tiravam o cabelinho que ficava no meio. As mulheres tinham o trabalho mais complicado que era ralar o milho e costurar um saquinho de palha. Fazíamos isso das sete da manhã até às quatro da tarde, que era quando comíamos a pamonha. A finalidade de fazer pamonha não era comer pamonha, era ficar junto o dia todo. Crianças e jovens aprendiam que para que uma pamonha aparecesse era preciso tempo, trabalho, convivência, divisão de tarefas.

  A ideia da pamonha é evitar aquilo que chamo de miojização da vida, a vida miojo. Hoje um jovem imagina que para fazer uma pesquisa ele dá uma “googleada” e pronto. Não. A Internet é um poderoso meio de começo de pesquisa, não de término. Enfim, essa miojização do mundo corresponde a uma despamonhalização da vida, que é preciso rejeitar.

(Excertos da entrevista de Mario Sergio Cortella, em Papo Cabeça. Almanaque Brasil de Cultura Popular. Ano 13, no 153, janeiro de 2012, pp. 12-3.)

Considerando as assertivas em relação ao texto:

 

I) A filosofia está presente no dia a dia da vida das pessoas, sobretudo na alimentação, onde para cozinhar é preciso ter filosofia e saber os porquês de cada ingrediente e como agregálos.

 

II) Facilitar as tarefas, tornando-as mais práticas e imediatas nem sempre é sinônimo de fazê-las corretamente.

 

III) Indagar sobre si e o mundo a sua volta é o princípio básico da filosofia que pode ser aplicada no cotidiano.

 

IV) Para filosofar é necessário ter-se hábitos de vida saudáveis, buscando alimentos naturais e rejeitando massas e gorduras.

 

Está(ão) correta(s):

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Questão 14 10190262
Difícil

IFCE* 1° Ano 2011/2
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Filosofia da Educação Pólis e Razão

TEATRO E ESCOLA: O PAPEL DE EDUCAR

 

    Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem atividades completamente
diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente
“sérios”, o teatro se configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens do teatro,
ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam juntos, mais do que se imagina.
[5]    O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com suas tragédias, Sófocles e
Eurípedes não visavam apenas à diversão da plateia mas também e, sobretudo, pôr em discussão certos temas que
dividiam a opinião pública naquele momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a
própria mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo rei)? Poderia uma mãe assassinar
os filhos e depois matar-se por causa de um relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova
[10] o caso da cruel mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar mais livremente)?
    Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores míticos, baseados na tradição religiosa, para os valores
da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e suas leis, o teatro cumpria um papel político e
pedagógico, à medida que punha em xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos
para a civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas diversão, mas uma forma de refletir sobre o
[15] destino da própria comunidade em que se vivia, bem como sobre valores coletivos e individuais.
    Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais (tragédia, comédia,
drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do teatro moderno? Para Bertolt Brecht, por exemplo,
um dos mais significativos dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso, suas
peças tiveram um papel essencialmente pedagógico, voltadas para a conscientização de trabalhadores e para a
[20] resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do século XX.
    O teatro, ao apresentar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas, trágicas, políticas,
sentimentais, etc – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu destino. Talvez na instantaneidade e na
fugacidade do teatro resida todo o encanto e sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e
exaltada. O teatro ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus holofotes a vida real,
[25] muito além dos palcos e dos camarins.
    Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem é inegável. A escola sempre teve muito a
aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e em linguagem própria, complementa o trabalho de
gerações de educadores, preocupados com a formação plena do ser humano.
    Quisera as aulas também pudessem ter o encanto do teatro: a riqueza dos cenários, o cuidado com os
[30] figurinos, o envolvimento da música, o brilho da iluminação, a perfeição do texto e a vibração do público. Vamos ao
teatro!

(Ciley Cleto, professora de Língua Portuguesa, em São Paulo)

O tipo de romance que não faz parte da produção literária do notável escritor cearense José de Alencar está na opção

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Questão 9 10190239
Difícil

IFCE* 1° Ano 2011/2
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga Temática
  • Filosofia da Educação Pólis e Razão

TEATRO E ESCOLA: O PAPEL DE EDUCAR

 

    Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem atividades completamente
diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente
“sérios”, o teatro se configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens do teatro,
ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam juntos, mais do que se imagina.
[5]    O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com suas tragédias, Sófocles e
Eurípedes não visavam apenas à diversão da plateia mas também e, sobretudo, pôr em discussão certos temas que
dividiam a opinião pública naquele momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a
própria mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo rei)? Poderia uma mãe assassinar
os filhos e depois matar-se por causa de um relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova
[10] o caso da cruel mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar mais livremente)?
    Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores míticos, baseados na tradição religiosa, para os valores
da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e suas leis, o teatro cumpria um papel político e
pedagógico, à medida que punha em xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos
para a civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas diversão, mas uma forma de refletir sobre o
[15] destino da própria comunidade em que se vivia, bem como sobre valores coletivos e individuais.
    Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais (tragédia, comédia,
drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do teatro moderno? Para Bertolt Brecht, por exemplo,
um dos mais significativos dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso, suas
peças tiveram um papel essencialmente pedagógico, voltadas para a conscientização de trabalhadores e para a
[20] resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do século XX.
    O teatro, ao apresentar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas, trágicas, políticas,
sentimentais, etc – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu destino. Talvez na instantaneidade e na
fugacidade do teatro resida todo o encanto e sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e
exaltada. O teatro ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus holofotes a vida real,
[25] muito além dos palcos e dos camarins.
    Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem é inegável. A escola sempre teve muito a
aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e em linguagem própria, complementa o trabalho de
gerações de educadores, preocupados com a formação plena do ser humano.
    Quisera as aulas também pudessem ter o encanto do teatro: a riqueza dos cenários, o cuidado com os
[30] figurinos, o envolvimento da música, o brilho da iluminação, a perfeição do texto e a vibração do público. Vamos ao
teatro!

(Ciley Cleto, professora de Língua Portuguesa, em São Paulo)

A expressão “... bem como...” (linha 15)

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Questão 1 10188185
Difícil

IFCE* 1° Ano 2011/2
  • EFAF Filosofia
  • Sugira
  • Filosofia antiga
  • Mitologia

TEATRO E ESCOLA: O PAPEL DE EDUCAR

 

    Teatro e escola, em princípio, parecem ser espaços distintos, que desenvolvem atividades completamente
diferentes. Em contraposição ao ambiente normalmente fechado da sala de aula e aos seus assuntos pretensamente
“sérios”, o teatro se configura como um espaço de lazer e diversão. Entretanto, se examinarmos as origens do teatro,
ainda na Grécia antiga, veremos que teatro e escola sempre caminharam juntos, mais do que se imagina.
[5]    O teatro grego apresentava uma função eminentemente pedagógica. Com suas tragédias, Sófocles e
Eurípedes não visavam apenas à diversão da plateia mas também e, sobretudo, pôr em discussão certos temas que
dividiam a opinião pública naquele momento de transformação da sociedade grega. Poderia um filho desposar a
própria mãe, depois de ter assassinado o pai de forma involuntária (tema de Édipo rei)? Poderia uma mãe assassinar
os filhos e depois matar-se por causa de um relacionamento amoroso (tema de Medeia e ainda atual, como comprova
[10] o caso da cruel mãe americana que, há alguns anos, jogou os filhos no lago para poder namorar mais livremente)?
    Naquela sociedade, que vivia a transição dos valores míticos, baseados na tradição religiosa, para os valores
da polis, isto é, aqueles resultantes da formação do Estado e suas leis, o teatro cumpria um papel político e
pedagógico, à medida que punha em xeque e em choque essas duas ordens de valores e apontava novos caminhos
para a civilização grega. “Ir ao teatro”, para os gregos, não era apenas diversão, mas uma forma de refletir sobre o
[15] destino da própria comunidade em que se vivia, bem como sobre valores coletivos e individuais.
    Deixando de lado as diferenças obviamente existentes em torno dos gêneros teatrais (tragédia, comédia,
drama), em que o teatro grego, quanto a suas intenções, diferia do teatro moderno? Para Bertolt Brecht, por exemplo,
um dos mais significativos dramaturgos modernos, a função do teatro era, antes de tudo, divertir. Apesar disso, suas
peças tiveram um papel essencialmente pedagógico, voltadas para a conscientização de trabalhadores e para a
[20] resistência política na Alemanha nazista dos anos 30 do século XX.
    O teatro, ao apresentar situações de nossa própria vida – sejam elas engraçadas, trágicas, políticas,
sentimentais, etc – põe o homem a nu, diante de si mesmo e de seu destino. Talvez na instantaneidade e na
fugacidade do teatro resida todo o encanto e sua magia: a cada representação, a vida humana é recontada e
exaltada. O teatro ensina, o teatro é escola. É uma forma de vida de ficção que ilumina com seus holofotes a vida real,
[25] muito além dos palcos e dos camarins.
    Que o teatro seja uma forma alternativa de ensino e aprendizagem é inegável. A escola sempre teve muito a
aprender com o teatro, assim como este, de certa forma, e em linguagem própria, complementa o trabalho de
gerações de educadores, preocupados com a formação plena do ser humano.
    Quisera as aulas também pudessem ter o encanto do teatro: a riqueza dos cenários, o cuidado com os
[30] figurinos, o envolvimento da música, o brilho da iluminação, a perfeição do texto e a vibração do público. Vamos ao
teatro!

(Ciley Cleto, professora de Língua Portuguesa, em São Paulo)

Na construção do texto, a professora Ciley só não fez uso da

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