Questões de EFAF História
3.501 Questões
Questão
5 14946598
Fácil
ONHB Fase 4 2024
Leia os trechos de história em quadrinhos abaixo, selecionados e retirados da edição sobre folclore brasileiro da coleção “Você Sabia? Turma da Mônica”.
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VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA I

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza PALAVRAS-CHAVE: colonização, literatura infantil
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VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA II

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza. PALAVRAS-CHAVE: colonização, literatura infantil
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VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA III

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza PALAVRAS-CHAVE: colonização, literatura infantil
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VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA IV

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza PALAVRAS-CHAVE: literatura infantil, colonização
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VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA V

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: História em quadrinhos ORIGEM: Maurício de Souza. “VOCÊ SABIA? TURMA DA MÔNICA”. Editora Globo S.A, nº 3, jul/2003. CRÉDITOS: Maurício de Souza. PALAVRAS-CHAVE: literatura infantil, colonização
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3 14946562
Fácil
ONHB Fase 4 2024
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Crônica do viver baiano seiscentista : obra poética completa
Que de quilombos que tenho
com mestres superlativos,
nos quais se ensinam de noite
os calundus , e feitiços.
Com devoção os freqüentam
mil sujeitos femininos,
e também muitos barbados,
que se presam de narcisos.
Ventura dizem, que buscam;
não se viu maior delírio!
eu, que os ouço, vejo, e calo
por não poder diverti-los.
O que sei, é, que em tais danças
Satanás anda metido,
e que só tal padre-mestre
pode ensinar tais delírios.
Não há mulher desprezada,
galã desfavorecido,
que deixe de ir ao quilombo
dançar o seu bocadinho.
E gastam pelas patacas
com os mestres do cachimbo,
que são todos jubilados
em depenar tais patinhos.
E quando vão confessar-se,
encobrem aos Padres isto,
porque o têm por passatempo,
por costume, ou por estilo.
Em cumprir as penitências
rebeldes são, e remissos ,
e muito pior se as tais
são de jejuns, e cilícios .
A muitos ouço gemer
com pesar muito excessivo,
não pelo horror do pecado,
mas sim por não consegui-lo.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Crônica ORIGEM: MATOS, Gregório de [1633?-1696]. Crônica do viver baiano seiscentista : obra poética completa. Disponível em: https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/Cronica%20do%20Viver%20Baiano%20Seiscentista.pdf. Acesso em: 25 mai 2024. CRÉDITOS: Gregório de Matos [1633?-1696] GLOSSÁRIO: Calundu : cerimônia religiosa, de origem afro-brasileira, frequentada por africanos, afrodescendentes e brancos, muito popular entre os séculos XVII e XVIII. Ventura : Sorte; fortuna. Patacas : antiga moeda brasileira. Jubilados : com grande alegria. Remissos : negligentes. Cilício : Forma de penitência que consiste no uso de uma túnica ou cinto com arame ou tecido áspero sobre a pele. PALAVRAS-CHAVE: vida cotidiana, literatura
Os versos:
Questão
2 14946525
Fácil
ONHB Fase 4 2024
Leia a reportagem a seguir.
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Sirene da Folha, no centro de SP, toca diariamente há mais de 60 anos
Entre os infinitos sons que integram a vasta paisagem sonora da cidade, ecoa diariamente o da sirene instalada no terraço da Folha, na alameda Barão de Limeira.
Por conta da atividade do parque gráfico que funcionava no próprio jornal, a “sirena”, ou “sereia”, como chamada antigamente, tocava duas vezes ao dia, ao meio-dia e às 18h.

Sirene localizada na cobertura do prédio da Folha na Alameda Barão de Limeira, na região central de São Paulo (Lalo de Almeida/Folhapress)
A traquitana é brasileira e emite seu alarme por meio de seis enormes bocas de cornetas metálicas, abrigadas por um guarda-chuva/sol do mesmo material. Com cerca de 2 m de altura, pesa por volta de 150 quilos.
Existe desde o final da década de 1950, quando a Folha se mudou para os Campos Elíseos, na atual sede.
Hoje, mesmo após a desativação do parque gráfico no local, a sirene continua a ser acionada todos os dias, às 18h, de segunda a segunda.
O canto da “sereia” originalmente durava 30 segundos, iniciando com um solo potente e num crescendo de 15 segundos, para depois ir decrescendo, melancolicamente, até morrer aos 30.
No entanto, desde fevereiro de 2020, o alarme foi reduzido pela metade, de 30 para 15 segundos. Segundo Isael José do Rosário, eletricista responsável pelo equipamento, a mudança ocorreu após um problema ter feito com que ela tocasse por um tempo muito maior do que o programado, o que gerou reclamações.
Isael, 46, trabalha no jornal como eletricista desde os 20 anos. “Não me recordo exatamente quando, mas, há muitos anos, a diretoria pediu que a sirene parasse de tocar ao meio-dia. Eu e outro eletricista removemos uma pecinha de um disco que a acionava nesse horário”, conta.
O alarme das 18h também chegou a ser desligado em algumas ocasiões, como obras. Porém, o jornal recebeu pedidos da
vizinhança para que voltasse a tocar, uma vez que fazia parte da vida de pessoas que se orientavam por meio dele. Vicença Arcângela Imperatrice, a dona Vicentina, é uma delas. Em 1961, foi contratada na Folha, onde permaneceu por 55 anos até se aposentar.
“Quando ouvia a sirene [do meio-dia], corria para pegar o bonde que passava na [avenida] Duque de Caxias e ia para a Casa Verde. Eu morava no Bom Retiro e descia na rua José Paulino, caminhava até minha casa, almoçava e voltava a pé para o jornal. Eram 17 quarteirões”, lembra.
Hoje vivendo a poucos metros da Folha, ela diz que, ao ouvir o alarme, sabe que são 18h, quando então faz o sinal da cruz e reza uma Ave-Maria.
Católico, o representante comercial Carlos Antônio Sobral, 64, mora no bairro há 40 anos e compartilha do hábito religioso de dona Vicentina. “O som pra mim é sagrado e ajuda a me lembrar do horário, não preciso ficar preocupado em olhar no relógio.”
Quem não o acha nada sacro é o enfermeiro Gustavo Granados, 28, que vive na avenida Duque de Caxias e desconhecia a origem do alarme. “Achava que era tipo um sino de uma igreja. É um barulho alto e faz parecer que o mundo vai acabar. Às vezes, você está de boa e assusta. Parece que está em um outro país e está vindo um tsunami”, disse.
Já o carioca Geraldo Silveira da Silva Perilo, 57, que há mais de 20 anos trabalha no mercado das flores do largo do Arouche, tem relação carinhosa com o som: chama-o de “meu despertador”. “Enquanto não toca, fico esperando para poder ir embora, pegar o metrô e depois o trem para Francisco Morato.”
Não são apenas humanos que aguardam pelo sinal, mas também outros animais. É o caso do vira-lata Paçoca, que vive com Elaine Meneses, 42, em apartamento no décimo andar na rua Conselheiro Nébias. “Eu gosto dele porque me sintoniza e sei que são 18h, hora de passear com o cachorro”, diz ela, que trabalha como ajudante geral em uma adega.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: JUNIOR, Carlos Bozzo. Sirene da Folha, no centro de SP, toca diariamente há mais de 60 anos. Folha de S. Paulo, 25 fev. 2021. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/folha-100-anos/2021/02/sirene-da-folha-no-centro-de-sp-tocadiariamente- ha-mais-de-60-anos.shtml. Acesso em: 19 jan. 2024. CRÉDITOS: Carlos Bozzo Junior. GLOSSÁRIO: Traquitana : objeto grande e desconjuntado. PALAVRAS-CHAVE: usos e costumes, mundos do trabalho, cultura material
As sirenes
Questão
1 14946432
Fácil
ONHB Fase 4 2024
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Por onde queira que transite
Muitas famílias circenses consideradas “tradicionais” são assim referidas por sua “origem” estar ligada àquelas que vieram da Europa no século XIX, como saltimbancos ou como parte de grupos circenses. A maior parte das informações orais sobre como e quando chegaram e quem eram aqueles artistas foi obtida de circenses brasileiros, cujas famílias teriam migrado para o Brasil a partir dos anos de 1830, e pode ser confrontada com descrições feitas por historiadores europeus e latino-americanos, assim como outras fontes do período.
Através desses relatos, sabe-se que a maioria dos circenses desembarcou em grupos familiares, quase todos oriundos do continente europeu, mas vários deles têm dificuldades de precisar as nacionalidades, pois, como nômades, apresentavam-se em vários países, vinculando-se de maneiras distintas aos locais por onde passavam. Em alguns casos é possível chegar a uma origem; entretanto, os vários filhos, netos e sobrinhos nascidos em cidades e países diversos acabam por definir o próprio grupo familiar como referência importante, mais do que os locais de nascimento.
Alguns informam que seus antepassados saíram da Europa por causa de grandes guerras e perseguições e proibições de se apresentar em praças públicas. Não há dúvida de que em muitos casos esses fatos foram importantes, porém (...) os próprios modos de se constituírem como grupo e como artistas, itinerantes na forma de vida e trabalho, eram os principais motivos que os movimentavam. Se em determinado local eram impedidos de entrar, mudavam-se para outro, indo a procura do espaço urbano e de seu público.
Parte deles não tinha nenhum tipo de vínculo ou contrato de trabalho em exibições em locais definidos, chegando no fim do século XVIII e inicio do XIX ao Brasil para se apresentarem em ruas, esquinas e praças, exibindo habilidades físicas e destrezas com animais.
(...)
Os artistas circenses que migraram no fim do século XVIII e em quase todo século XIX para a América Latina percorreram vários países antes de passar a viver como nômades preferencialmente em um deles. E, mesmo quando isso ocorria, as turnês eram frequentes, possibilitando trocas de experiências. Rio de Janeiro e Buenos Aires eram as principais cidades do período a receber constantemente trupes estrangeiras. Entretanto, cidades como Porto Alegre, São Paulo, Recife, Belém, Salvador, Montevidéu, Santiago, Assunção e Lima também faziam parte da rota de artistas, de modo geral, e dos circenses. Devido ao total intercâmbio e circulação dos grupos, foi possível conhecer a movimentação desses artistas e o que realizavam, através da produção de pesquisadores, memorialistas e historiadores do circo de alguns desses países latino-americanos e do Brasil. Desde 1757 registraram-se na Argentina os passos de volatineiros (como são denominados em castelhano os saltimbancos e os funâmbulos ) vindos da Espanha para exercer seu tradicional ofício no Novo Mundo, como o acrobata Arganda e o volatim Antonio Verdún, que teria vindo do Peru para Buenos Aires e Brasil (...)
No fim da década de 1780 começaram a chegar ao Brasil, através da Argentina, imigrantes já denominado circenses pelos historiadores desse país. É o caso de Joaquín Duarte que, em 1776, se apresentou como funâmbulo, jogral, acrobata e prestidigitador e, em 1785, em Buenos Aires, solicitou licença para realizar espetáculos públicos de “habilidades de mãos e física, equilíbrios, jogos de mãos e bailes”, à frente de um conjunto circense. Assim como Joaquín Oláez que, a partir de 1791, após várias apresentações com bonecos, pantomimas e acrobacias no Plaza de Toros, cruzou o Rio Grande e se dirigiu ao Rio de Janeiro.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto Acadêmico ORIGEM: SILVA. Ermínia. Circo-Teatro: Benjamim Oliveira e a teatralidade circense no Brasil. 2º Edição (Revisada e Ampliada). São Paulo: Itaú Cultural / Martins Fontes, 2022, pp. 68-70. CRÉDITOS: Ermínia Silva GLOSSÁRIO: Funâmbulo : Equilibrista que anda no fio ou na corda. Volatim : Equilibrista que anda no fio ou na corda; andarilho. Prestidigitador : Artista cujas habilidades consistem especialmente na rapidez dos movimentos dos dedos e das mãos; ilusionista; mágico. Pantomima : Arte de exprimir os sentimentos, as paixões, as ideias, por meio de gestos e atitudes, sem recorrer à palavra; Representação teatral em que os atores se exprimem unicamente por meio de gesto. PALAVRAS-CHAVE: imigração, cultura popular, história do circo
O documento
Questão
8 14946217
Fácil
ONHB Fase 3 2024
Leia o texto de Luís da Câmara Cascudo, sobre bebidas e alimentos líquidos do cardápio indígena:
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Os indígenas adoram os alimentos líquidos
Os indígenas adoram os alimentos líquidos. Raízes e frutas fornecem bebidas que os antigos cronistas dos séculos XVI e XVII afirmavam fortificantes e deliciosas, apesar da repugnância instintiva por saber algumas sofrer mastigação prévia para ativar a fermentação.
(...)
Seriam alimentos líquidos característicos os mingaus, farinha, tapioca, carimã, fervidos e absorvidos quentes. Os caldos de carne e peixe, engrossados, depois de retirados das panelas, espécies de pirões ralos, viscosos, rescendentes, eram substanciais. Ainda hoje, nas peixadas do Norte, depois do prato de peixe cozido ou assado (frito), o primeiro com pirão (escaldado ou fervido) e o segundo com pirão ou arroz, é sempre oferecido o caldo de peixe final, que muitos fregueses espessam com farinha fina. É uma tradição indígena, dos tupis pescadores de igapebas e piperis, a jangada contemporânea. Pelo século XVI alguns molhos foram denunciados e não desaparecidos da culinária nortista. O sumo da mandioca, eliminado o ácido prússico pela ebulição, passava a ser manipueira , o manipoi quinhentista. Dizia [Claude d’] Abbeville: ‘o suco, porém, misturado com a farinha de milho e a cassava ( beiju ) e alguns frutos chamados pacuri (palmeira bacuri, Platonia insignis Mart .), dá uma excelente sopa, também denominada manipoi , que tomam pela manhã e dão de costume às crianças de peito, tal qual fazemos com as papas’. Esse manipoi fez nascer os atuais tacacá , com caldo de peixe ou carne, alho, pimenta, sal, às vezes camarões secos, e também o molho de tucupi, ‘tucupi-apimentado’, ‘tucupi-pixuna’, apurado, escurecido pela demorada cocção, rei dos molhos para Stradelli, famoso acompanhante do pato e de certos peixes, abundantes de carnes. (...)
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: CASCUDO, Luís da Câmara. ”Os indígenas adoram os alimentos líquidos”. História da alimentação no Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967, pp. 134;141. Disponível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/bitstream/doc/370/1/323%20PDF%20-%20OCR%20-%20RED.pdf. Acesso em 26 mai. 2024. CRÉDITOS: Luís da Câmara Cascudo. PALAVRAS-CHAVE: cultura, história da alimentação
O autor do texto
Questão
6 14946004
Fácil
ONHB Fase 3 2024
Ouça e acompanhe a letra da canção “Peabiru”, de Almir Sater. Em seguida, leia o trecho da reportagem que descreve algumas das interpretações historiográficas sobre o Caminho do Peabiru:
Documento
Peabiru
Quem souber, podia me dizer
Onde é que nosso ouro foi
Pau-brasil faz tempo que sumiu
Dessa terra tão abençoada
Que entrou em outra jogada
E hoje é tudo soja, milho e boi
Quem souber podia me dizer
Como é que eu faço pra pegar
A velha estrada do Peabiru
Que vem lá de Santa Catarina, Paraná
Paraguai acima, e atravessa a América do Sul
Na promessa de um Eldorado
Vinham almas aventureiras
Sempre a procurar horizontes
Venceram até cordilheiras
E o Pacífico era azul
Quem souber podia me dizer
Onde é que a gente se meteu
Nessa imensa faixa de fronteira
Cujo o nome é terra de ninguém
Onde reina e manda qualquer um
Onde o rei pode ser um fora da lei
Quem souber podia me dizer
D’onde é que veio esse som
Tá com jeito meio do Altiplano
Onde o povo segue celebrando
O Sol, a Lua e tudo que é profano
No tango, charango, viola e chamamé
Na promessa de um Eldorado
Vinham almas aventureiras
Sempre a procurar horizontes
Venceram até cordilheiras
E o Pacífico era azul
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Canção ORIGEM: Peabiru · Almir Sater Peabiru 2022 Cantaville Released on: 2022-06-03 Auto-generated by YouTube. CRÉDITOS: Almir Sater PALAVRAS-CHAVE: história da música, formação do território, indígenas
Documento
Caminho de Peabiru: a fascinante rota indígena que conecta o Atlântico ao Pacífico
Eu havia viajado até o Estado do Paraná, não muito longe da fronteira com o Paraguai, em busca dos restos do Caminho de Peabiru — uma rede de trilhas com 4 mil quilômetros de extensão, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico, construída ao longo de milênios pelos povos indígenas sul-americanos.
A maior parte do caminho original desapareceu, consumido pela natureza ou transformado em rodovias ao longo dos séculos. [...] No entanto, é fácil compreender por que essa trilha transcontinental cativa a imaginação das pessoas com tanta facilidade — uma fascinação que vem desde o primeiro europeu conhecido por caminhar por toda a sua extensão: o navegador português Aleixo Garcia.
Garcia naufragou no litoral de Santa Catarina no ano de 1516, depois do fracasso de uma missão espanhola que pretendia navegar pelo Rio da Prata. Ele e meia dúzia de outros navegadores foram acolhidos pelos indígenas guaranis. Oito anos mais tarde, depois de ouvir as histórias sobre um caminho que levava até um império nas montanhas, rico em ouro e prata, Garcia viajou com 2 mil guerreiros guaranis até os Andes, a cerca de 3 mil quilômetros de distância.
[...] As trilhas que vinham do Brasil conectavam-se à rede de estradas incas e pré-incas através dos Andes, que hoje recebem muitos visitantes, mas o Caminho de Peabiru propriamente dito deixou poucos vestígios.
As teorias divergem não apenas sobre a época da sua criação, mas também o local exato por onde a rota passava. ”Sempre teremos várias hipóteses”, explica a arqueóloga Cláudia Inês Parellada. ”É difícil ter certeza sobre o caminho completo porque ele mudou ao longo do tempo.”
O consenso é que o caminho principal da rede conectava o litoral leste e oeste da América do Sul. Dos seus pontos de partida no litoral brasileiro (onde hoje ficam os Estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina), as trilhas se reuniam no Paraná, prosseguindo através do território que hoje forma o Paraguai até a região de Potosí, na Bolívia, que era rica em prata.
Ao chegar ao lago Titicaca (hoje, fronteira entre a Bolívia e o Peru), o caminho seguia até Cusco — a capital do império inca — e, de lá, descia até o litoral peruano e o norte do Chile. ”Pode-se dizer que o roteiro do Peabiru era aquele que acompanhava o movimento aparente do Sol, nascente-poente”, segundo Rosana Bond, na série literária História do Caminho de Peabiru, publicada em 2021. Nessa série, a pesquisadora brasileira analisa diversas hipóteses plausíveis sobre as origens da trilha e conclui que a rede de caminhos provavelmente foi criada e usada por diversos grupos indígenas ao longo dos séculos, mas sua característica principal era o desejo de conectar o Atlântico ao Pacífico.
Entre os povos a que Bond se refere, encontram-se os guaranis, uma das maiores populações nativas remanescentes na América do Sul. Eles vivem em parte do Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.
O Caminho de Peabiru é uma rota física e espiritual na cultura guarani, que leva a um paraíso mitológico chamado por eles de Yvy MarãEy, que fica além da água (o Oceano Atlântico), onde nasce o Sol. Esse paraíso (”a terra sem mal”, em tradução livre) é mencionado na tradição oral dos guaranis, nos seus rituais, música, dança, simbologia e em nomes de lugares. As lendas guaranis chegam a dizer que a rede de caminhos é um reflexo da Via Láctea na Terra.
Mas, para os colonizadores europeus (como o navegador português Aleixo Garcia), o caminho espiritual dos guaranis para o paraíso tornou-se uma via rápida até as riquezas dos incas nas expedições pelo Novo Mundo, que acabaram por causar a morte em massa das populações indígenas da América do Sul pela guerra, pela fome e, principalmente, pelas doenças.
As lendas sobre o Eldorado e a Serra da Prata trouxeram frotas de navios espanhóis e portugueses através do Atlântico e alguns grupos indígenas os ajudaram a penetrar no interior do continente, através do Caminho de Peabiru, segundo Parellada.
”Conhecer as rotas e trilhas principais através das populações nativas tornou-se uma vantagem estratégica, que amplificou o saque, a destruição e a cobiça de novos territórios e riquezas minerais”, explica ela.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: BALSTON, Catherine. Caminho de Peabiru: a fascinante rota indígena que conecta o Atlântico ao Pacífico. BBC News Brasil, 26 jun. 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-tra-61808692. Acesso em: 19 jan. 2024 (adaptado). CRÉDITOS: Catherine Balston PALAVRAS-CHAVE: indígenas, formação do território
Em relação aos elementos apresentados pela reportagem sobre o Caminho do Peabiru, o trecho da canção