Questões de EFAF História - Temática
1.152 Questões
Questão
6 14945451
Fácil
ONHB Fase 2 2024
Leia a notícia da Revista Time:
Documento
Quatro homens em uma jangada

Tradução
Estas imagens contam a história de uma viagem homérica que resultou em um milagre político no Brasil. Sessenta e um dias e 2.650 milhas fora de seu porto de origem, Fortaleza (CE), a jangada chamada São Pedro navegou até o porto do Rio de Janeiro. Dois meses antes, a tripulação do São Pedro era composta por quatro simples jangadeiros. Como outros pescadores brasileiros, eles navegavam nas suas jangadas, pescando com arrasto. Mas, eles tinham que entregar metade do que haviam pescado ao dono da jangada; a outra metade mal servia para sustentar quatro homens. O que mais os irritou foi que os jangadeiros não eram abrangidos pelos benefícios das leis de seguridade social do Brasil.
O líder Manoel Olímpio Meira e seus companheiros, que o chamam de ”Jacaré”, içaram as velas e partiram em setembro em uma viagem de 2.650 milhas ao longo da costa do Brasil até a capital, para contar ao presidente Getúlio Dornelles Vargas seus problemas. Sem um único instrumento de navegação, enfrentando vento e chuva, queimados pelo sol, seguiram para o sul. Aldeias de pescadores surgiam para recebê-los, alimentá-los e protegê-los.
Quando os quatro jangadeiros chegaram ao Rio, a imprensa já os transformara em heróis nacionais. No porto, aglomeravam barcos de pesca, apitando e agitando bandeiras. De lá, saiu um rebocador da Marinha. Saíram veleiros, barcos a remo, lanchas, canoas, iates, e uma lancha cheia de Escoteiros do Mar. A Banda da Marinha e a Banda da Polícia Municipal tocaram na Praça Mauá. Um guindaste tirou a São Pedro da água e baixou-a até um caminhão. Pela rua principal do Rio, lotada a Avenida Rio Branco, avançava a São Pedro. Atrás passava um desfile de centenas de caminhões sinalizados, cheios de membros de sindicatos e autoridades.
No Guanabara (Palácio Presidencial), o astuto presidente Vargas abriu os portões para a multidão, posou para fotos (veja abaixo), ouviu a história de Jacaré e prometeu-lhe justiça. Quando outras pessoas na multidão quiseram apresentar as suas próprias queixas, o Presidente fez uma audiência pública.
Dois dias depois, o Ministério do Trabalho da Presidência elaborou um projeto de lei especial, encaminhou-o a Getúlio Vargas, que o assinou. Agora, os jangadeiros estavam assegurados de todos os direitos trabalhistas sob a lei brasileira: fundos de aposentadoria, pensões para viúvas e filhos, casas, escolas, hospitalização. Levados pelo espírito da ocasião, os diretores da Navegação Aérea Brasileira ofereceram aos pescadores um [avião bimotor] Beechcraft para leválos de volta para casa. Tempo de voo Rio-Fortaleza: nove horas.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Revista OBSERVAÇÃO: Tradução de Anthony Beux Tessari. ORIGEM: Revista Time, 8 de dezembro de 1941. Disponível em: https://orsonwellesnobrasil.home.blog/2019/01/28/time-magazine-four-men-on-a-raft-08-12-1941/. Acesso em: 26 fev. 2024. CRÉDITOS: Revista Time PALAVRAS-CHAVE: jangadeiros, era vargas
A história dos quatro jangadeiros cearenses:
Questão
4 14945420
Fácil
ONHB Fase 2 2024
Leia as duas notícias a seguir:
Documento
Noticias Scientificas

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Jornal do Commercio, 17 de janeiro de 1840. Fonte: Biblioteca Nacional. Disponível em: https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=364568_03&PagFis=57. Acesso em 25 fev. 2024. CRÉDITOS: Jornal do Commercio GLOSSÁRIO: Combes : o jornal errou a grafia do sobrenome do abade na notícia de 17 de janeiro. O certo era ‘Comte’, pois referência ao abade (religioso) francês Louis Comte (1798-1868). No jornal do dia 20, o sobrenome foi grafado corretamente. Corveta : tipo de navio. PALAVRAS-CHAVE: fotografia, história da ciência, cultura material
Documento
RIO DE JANEIRO. O DAGUERROTYPO.

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal ORIGEM: Jornal do Commercio, 20 de janeiro de 1840. Fonte: Biblioteca Nacional. Disponível em: https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=364568_03&PagFis=69. Acesso em: 25 fev. 2024. CRÉDITOS: Jornal do Commercio PALAVRAS-CHAVE: cultura material, fotografia, história da ciência
Escolha uma alternativa sobre a fotografia no Brasil, considerando as duas notícias.
Questão
1 14945287
Fácil
ONHB Fase 2 2024
Documento
Festa da Colheita do Capim Dourado evidencia tradição e cultura quilombola
Com apoio do Governo do Tocantins, festa ocorreu entre os dias 17 e 19 de setembro e antecede período de colheita do Capim Dourado Em meio às veredas do cerrado, as mãos cuidadosas das mulheres e homens buscam pela matéria-prima de uma das maiores riquezas do artesanato tocantinense, o capim dourado. Realizada uma vez por ano pela comunidade quilombola Mumbuca, localizada na região turística Encantos do Jalapão, no Tocantins, a colheita do Capim Dourado é uma tradição passada de geração para geração. Para celebrar o período em que o verde do capim se transforma em um dourado vivo e defender a preservação e o manejo do Capim Dourado, os moradores realizaram uma grande festa com uma programação diversificada, que marcou o início da colheita.
Com o apoio do Governo do Tocantins, por meio da Agência de Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa (Adetuc), as comemorações contaram com cavalgada, campeonato esportivo, desfile de peças feitas de capim dourado, emissão da Carteira Nacional de Artesão, além da apresentação do vestido de Capim Dourado, produzido para o Miss Brasil, bate-papo com o estilista Luis Fernando e apresentações teatrais, circenses e musicais com artistas regionais.
A quilombola da comunidade Mumbuca e presidente da Associação dos Artesãos, Railane Ribeiro da Silva, ressaltou a importância da festa. “É uma forma que temos de agradecer por essa benção que é o capim dourado para a nossa comunidade. Ele transformou a vida do nosso povo e, todos os anos, temos mantido essa tradição.”, afirmou Railane Ribeiro da Silva.
Um dos nomes mais referenciados da comunidade, Noêmia Ribeiro da Silva, popular Doutora, revela que a festa tem ganhado cada vez mais destaque. “É lindo ver todo o apoio que estamos tendo nesta festa, pois é algo especial pra gente. Hoje, todo mundo conhece o capim dourado e a comunidade Mumbuca. Motivo de grande alegria”, descreve a artesã de 69 anos, também conhecida pelo dom de fazer remédios por meio das raízes de plantas nativas.
Momento único
Exposto durante a festa, o vestido de capim dourado, produzido pelo estilista tocantinense Luiz Fernando Carvalho, ganhou destaque ao entrar na passarela vestido pela jovem moradora do Mumbuca, Tayza Pereira. “Será algo que ficará para sempre na nossa história. Receber um vestido como esse todo feito de capim dourado é algo único. Todas as artesãs estão encantadas com o resultado desse trabalho”, completa a presidente da Associação dos Artesãos, Railane Ribeiro. Mulher quilombola de 15 anos, Tayza Pereira, que deu vida ao vestido em uma apresentação à comunidade, ficou emocionada com os detalhes da peça. “Não tenho nem palavras para expressar esse momento. É especial levar junto comigo a história da minha mãe, das minhas avós e mostrar isso na nossa comunidade”, afirmou, ao dizer que um dos sonhos é ser modelo e levar a cultura quilombola às passarelas.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Jornal eletrônico ORIGEM: Núbia Dourado. Festa da Colheita do Capim Dourado evidencia tradição e cultura quilombola. TO em foco. 19 de agosto de 2022 em Povos Tradicionais. Disponível em: https://toemfoco.com.br/povos-tradicionais/festa-da-colheita-do-capimdourado- evidencia-tradicao-cultura-quilombola/. Acesso em: 27 fev. 2024. CRÉDITOS: Núbia Dourado. PALAVRAS-CHAVE: patrimônio imaterial, quilombolas
Documento
Vestido de Capim Dourado I

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Vestuário ORIGEM: Modelo: Tayza Pereira (@tayza_miss_capimdourado) Foto: Flávio Cavaleira Vestido/Cabelo e Maquiagem: Luiz Fernando Carvalho Direção de foto: Henrique Lopes Disponível em: https://www.instagram.com/tayza_miss_capimdourado/. Acesso em: 27 fev. 2024. CRÉDITOS: Modelo: Tayza Pereira Foto: Flávio Cavaleira Vestido/Cabelo e Maquiagem: Luiz Fernando Carvalho Direção de foto: Henrique Lopes PALAVRAS-CHAVE: cultura material, patrimônio imaterial, vestuário
Documento
Vestido de Capim Dourado II

Considerando os documentos analisados, selecione uma alternativa:
Questão
9 14941832
Fácil
ONHB Fase 1 2024
Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la. Atenção: A prova pode ser salva em “rascunho”, mas não se esqueçam de confirmar as respostas até a data limite, clicando em “entregar a questão”. Após clicar em “entregar a questão” não será mais possível realizar alterações na questão.
Documento
Salão para Alisar Cabellos Crespos

Transcrição
SALÃO PARA ALISAR CABELLOS
CRESPOS
SYSTHEMA, RAPIDO, INFALLIVEL E BARATO
Alisamos qualquer cabello, por mais crespo que seja,
Sem prejudical-o, em 1/2 hora, a preço modico.
Enertegamos [sic], cada vez, uma ficha, que no fim de certo
tempo,
lhe dará diretio [sic] a um “CABELISADOR” grátis. – São Paulo,
Praça da Sé, 14 – 2.o andar – sala 4 – Telephone, 2-1706 —–
Rio de Janeiro – Avenida Passos, n. 88 - sobrado
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: “Salão para Alisar Cabellos Crespos”, O Clarim d’Alvorada: Legítimo Órgão da Mocidade Negra, São Paulo, 25 de janeiro de 1930, ano 6, n.23, p.2. Hemeroteca digital – BN. Disponível em: https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=844918&Pesq=%22A%20mulher%20negra%20e%20o%20nosso%20Congresso%22&pagfis=222. Acesso em: 22/02/2024 CRÉDITOS: O Clarim d’Alvorada PALAVRAS-CHAVE: propaganda, consumo, imprensa
Documento
Uma invenção maravilhosa!... O cabelisador

Transcrição
Uma invenção maravilhosa!...
“O CABELISADOR”
ALISA O CABELLO MAIS CRESPO SEM DOR”
[Coluna da esquerda]
Uma causa que até agora parecia impossível e que constituia o sonho dourado de milhares de pessoas, já é hoje é uma realidade irrefutavel. Quem teria jamais imaginado que seria possivel alisar o cabello, por mais crespo que fosse, tornando-o comprido e sedoso? Graças á maravilhosa invenção do nosso “CABELISADOR” , consegue- se, em conjunto com duas “Pastas Magicas”, alisar todo e qualquer cabello, por muito crespo que seja. Com o uso deste maravilhoso instrumento, os cabellos não só ficam infalivelmente lisos, mas tambem mais compridos. Quem não prefere ter uma cabelleira lisa, sedosa e bonita em vez de cabellos curtos e crespos? Qual é a pessoa que não quer ser elegante e moderna? Pois o nosso “CABELISADOR” alisa o cabello mais crespo sem dôr. O nosso estojo contém todo o necessario para esse fim, não havendo necessidade de cabellereiro. Fazer-se tudo em casa, discreta e economicamente, sem perigo e sem dôr. O “CABELISADOR” e as “Pastas Magicas” podem ser usados com toda confiança, pois absolutamente não prejudicam o cabello, sendo o seu emprego facillimo e sempre eficaz.
[Coluna da direita]
Fabricamos duas qualidades de “CABELISADOR” : uma para cabello muito crespos, n.º 1, e outro para cabellos menos crespos, n.º 2. Quando as Pastas Magicas N.º 1 ou 2, contidas no estojo se acabarem, encontrar-se-ão sempre outras nas boas pharmacias e casas de perfumarias, etc., ou no nosso Deposito Geral, á ´Praça da Sé N. 14, Asla 4, 2.º andar – Tel.: 2-1706 São Paulo. Ficamos ao inteiro dispor da nossa distincta clientela para todas as explicações que forem necessarias, bem como nos pronptificamos a fazer demonstrações, ás pessoas que assim o desejarem em nosso es-criptorio, á Praça da Sé, 14, Sala 4 2.º andar, São Paulo. Podemos mandar o “CABELISADOR” para todas as partes do Brasil mediante pagamento adiantado.
LISTA DE PREÇOS
Estojo completo contendo um “CABELISADOR” , uma espiriteira especial, uma lata de Pasta Magica N. 1 e uma lata de Pasta Magica N. 2 .......................... 60$000 Um “CABELISADOR” avulso ................................ 48$000 Uma espiriteira especial para o “CABELISADOR” . 10$000 Pasta Magica N. 1 ou N. 2, cada latinha ................ 3$000 Pelo Correio (registrado) mais ................................ 2$000
[Centro]
Modo de usar o “CABELISADOR” Pela primeira vez, começa-se lavando a cabeça com a Pasta Magica N.2; em seguida reparte-se o cabello em ptquenas [sic] paetês e esfregase o couro cabelludo com a Pasta Magica N. 1, até penetrar bem. Depois esquenta-se o “CABELISADOR” na espiriteira especial contida no nosso estojo para esse fim tendo-se cuidado em collocar a parte grossa de metal sobre a chamma, e não os dente do instrumento. Experimenta-se o gráo de cal or numa folha de papel se esta amarelar está quente de mais, sendo nesse caso preciso deixal-o esfriar um pouco. A seguir vae-se tomando uma por uma as méchas de cabello já repartido e vae-se passando muito devagar o “CABELISADOR” , fazendo força de cima para baixo, como que penteia o cabello, encostando o instrumento bem contra a cabeça. É indispensavel usar sempre a Pasta Magica N. 1, antes de aplicar o “CABELISADOR” , o qual deve ser usado quente; logo que esfria um pouco é preciso aquecel-o novamente sobre a espiriteira. A Pasta Magica N. 2 (para lavar a cabeça) não precisa ser usada mais do que duas vezes por mez. Nos primeiros tempos é preferivel usar o “CABELISADOR” e a Pasta Magica N. 1 todas as noites, amarrando-se me seguida um pano bem apertado na cabeça antes de se deitar, para manter o sabello [sic] no logar.
Depois de alisada toda a cabeça, torna-se a passar o “ CABELISADOR” muito devagar sobre os cabellos, mas somente com a parte grossa sem fazer penetrar os dentes. No fim de pouco tempo o cabello começa a encompridar, torna-se liso e sedoso.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Propaganda ORIGEM: “Uma invenção maravilhosa!... O cabelisador”, O Clarim d’Alvorada: Legítimo Órgão da Mocidade Negra, São Paulo, 13 de maio de 1929, Ano 6, n. 16, p. 3. Hemeroteca digital – BN. Disponível em: https://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx bib=844918&Pesq=%22A%20mulher%20negra%20e%20o%20nosso%20Congresso%22&pagfis=193. Acesso em: 22/02/2024 CRÉDITOS: O Clarim d’Alvorada GLOSSÁRIO: Espiriteira: Tipo de lampião em que se coloca álcool ou espírito de vinho para queimar. 1$000 : mil réis PALAVRAS-CHAVE: propaganda, imprensa, consumo
Documento
Cabelisador


Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Alisador ORIGEM: Aparelho CABELISADOR Utilizado Para Alisar Cabelos, Produzido em Bronze, Original Anos 1930. Fonte: https://www.mercadordeantiguidades.com.br/20b12d/cabelisador-aparelho-utilizado-para-alisarcabelos- produzido-em-bronze-original-anos-1930. Acesso em: 22/02/2024 PALAVRAS-CHAVE: cultura material, consumo
Os documentos acima:
Questão
8 14941802
Fácil
ONHB Fase 1 2024
Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la. Atenção: A prova pode ser salva em “rascunho”, mas não se esqueçam de confirmar as respostas até a data limite, clicando em “entregar a questão”. Após clicar em “entregar a questão” não será mais possível realizar alterações na questão.
A partir das fotografias que representam parte da demolição do morro do Castelo, no Rio de Janeiro, assinale uma alternativa:
Documento
Demolição do morro do Castelo; ao fundo, alguns pavilhões da Exposição Internacional de 1922

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Autoria não identificada. Demolição do morro do Castelo; ao fundo, alguns pavilhões da Exposição Internacional de 1922. Rio de Janeiro. CRÉDITOS: Instituto Moreira Salles TÉCNICA: GELATINA/ Prata P&B DIMENSÕES: 13,0 x 18,0 cm
Documento
Demolição do Morro do Castelo

Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Fotografia ORIGEM: Malta, Augusto. Demolição do Morro do Castelo. Rio de Janeiro, 1922. Coleção Gilberto Ferrez. CRÉDITOS: Instituto Moreira Salles
Questão
6 14941742
Fácil
ONHB Fase 1 2024
Esta questão possui quatro alternativas. Há mais de uma resposta correta, mas cabe a sua equipe escolher qual alternativa considera como a mais adequada e selecioná-la. Atenção: A prova pode ser salva em “rascunho”, mas não se esqueçam de confirmar as respostas até a data limite, clicando em “entregar a questão”. Após clicar em “entregar a questão” não será mais possível realizar alterações na questão.
A partir de excertos extraídos do artigo científico de Maura Leal da Silva, intitulado ”A cidade imaginada: histórias e vivências em Macapá nos primeiros anos do território federal do Amapá”, assinale uma alternativa:
Documento
A cidade imaginada
Até esse decreto, o município de Macapá, assim como os de Mazagão e Amapá, fazia parte do Pará. O surgimento de um Amapá político-administrativo, que dará origem à criação, em 1988, de um dos mais novos estados da federação brasileira, começou a ser imaginado com o desmembramento desses três municípios paraenses, em 1943. (...) As várias localidades dos municípios (...) nos anos que antecederam ao Decreto-Lei nº 5.812, tinham suas fronteiras fluídas e ainda não definidas pela separação das naturalidades amapaense e paraense, e faziam parte de um complexo de pequenas ilhas da região do Marajó, no braço norte da foz do rio Amazonas, que, em razão da proximidade com Macapá e da pouca fiscalização governamental, desenvolveu um comércio fluvial quase que à parte. Alguns núcleos populacionais dispersos pelos interiores de Macapá, Breves, Gurupá, Anajás, Chaves, Afuá e das ilhas adjacentes, como, por exemplo, Pedreiras, Sant’Ana, Piriquito, Cajari, Caruá, Caviana, Mexiana e outras ilhas menores, dependiam quase que exclusivamente desse comércio clandestino, que abarcava os mais variados tipos de mercadorias e se dava por meio da navegação de pequenas embarcações fluviais. Essa era a principal atividade econômica que ligava as populações dessas pequenas cidades e localidades, e, por isso, por meio dela é possível reconstruir uma rede de sociabilidades, nem sempre fácil de ser decifrada em razão dos escassos registros e dos filtros oficiais que dominaram as narrativas sobre esses lugares. (...) Os rios, mais do que locais estratégicos de sobrevivência, foram os caminhos naturais desbravados pelos diversos homens e mulheres que se estabeleceram na Amazônia, a expressão de todo um modo de vida que se construiu através da relação sempre presente com as águas e com os fascínios que elas despertavam. (...)
Para esses homens e mulheres, de fato, esse foi um tempo de ruptura, no qual suas vidas foram diretamente afetadas pelo Decreto-Lei 5.812; foi um tempo de aceleração histórica e de mudanças, ainda que circunscrito à cidade mais atingida diretamente por esse decreto — Macapá; um tempo que poderia ser traduzido no ritmo acelerado em que essa cidade foi modificando seu traçado urbano, herdado do período pombalino na Amazônia, em meados do século XVIII, quando foi elevada à condição de vila. A paisagem e a dinâmica da pacata e pequena vila é transformada do dia para a noite. Macapá, uma cidade predominantemente rural, que vivia de poucos recursos, passou a receber um grande volume de investimentos, e muitas pessoas viram esse momento como propício para melhorarem suas condições de vida e oportunidades de trabalho. Na época, os poderes públicos conseguiram, às custas da política intervencionista na região, realizar, em um período de dois anos, várias obras concentradas no centro da cidade, com o objetivo de aparelhar a cidade para sediar o novo governo, bem como os funcionários e familiares do alto e médio escalão da administração pública: residência governamental, escola, hospital geral, cineteatro, hotel, um conjunto residencial de 35 casas, a Vila Presidente Vargas, todos destinados aos diretores e chefes dos departamentos. Também realizou-se reformas e adaptações de prédios públicos para os departamentos de Saúde, de Educação e de Segurança, agência do Banco do Brasil, etc. Em fins de 1944, pouco menos de um ano após a implantação do Território Federal, a população da sede da capital, Macapá, tinha mais do que dobrado, passando de 1.300 para 2.800 habitantes (Nunes, 1946: 113). A Macapá desses primeiros anos recebeu um número significativo de migrantes, vindos em sua maioria do Ceará, Bahia, Pernambuco e, principalmente, do Pará.
Ficha técnica TIPO DE DOCUMENTO: Texto acadêmico ORIGEM: SILVA, Maura Leal da. A cidade imaginada: histórias e vivências em Macapá nos primeiros anos do território federal do Amapá. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol 35, nº 76, p.289-308, Maio-Agosto 2022. Disponível em: https://periodicos.fgv.br/reh/article/view/85281/80897. Acesso em: 26 fev. 2024. CRÉDITOS: Maura Leal da Silva PALAVRAS-CHAVE: história política, fronteiras