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Questões de EFAF Arte

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451 Questões

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Questão 2 10595918
Fácil

FAETEC 2019
  • EFAF Arte
  • Sugira
  • Artes Integradas Artes Visuais Leitura e Interpretação de Texto
  • Estratégias de leitura Gêneros textuais - Verbais/Narrativos Processos de criação Processos de criação
  • Criação: Artes visuais Projeto temáticos
  • Diversas linguagens artísticas Individual/coletivo/colaborativo

A infinita fiadeira

 

    A aranha, aquela aranha, era tão única: não parava de fazer teias! Fazia-as de todos os tamanhos e formas. Havia, contudo, um senão: ela fazia-as, mas não lhes dava utilidade. O bicho repaginava o mundo. Contudo, sempre inacabava as suas obras. Ao fio e ao cabo, ela já amealhava uma porção de teias que só ganhavam senso no rebrilho das manhãs.

    E dia e noite: dos seus palpos primavam obras, com belezas de cachimbo gotejando, rendas e rendilhados. Tudo sem fim nem finalidade. Todo o bom aracnídeo sabe que a teia cumpre as fatais funções: lençol de núpcias,
armadilha de caçador. Todos sabem, menos a nossa aranhinha, em suas distraiçoeiras funções.

    Para a mãe aranha aquilo não passava de mau senso. Para quê tanto labor se depois não se dava a indevida aplicação? Mas a jovem aranhiça não fazia ouvidos. E alfaiatava, alfinetava, cegava os nós. Tecia e retecia o fio, entrelaçava e reentrelaçava mais e mais teia. Sem nunca fazer morada em nenhuma. Recusava a utilitária vocação da sua espécie.

    — Não faço telas por instinto.

    — Então, faz porquê”?

    — Faço por arte.

    A filha saiu pelo mundo em ofício de infinita teceloa. E em cantos e recantos deixava a sua marca, o engenho da sua seda. Os pais, após a concertação, a mandaram chamar. Em choro múltiplo, a mãe limpou as lágrimas dos muitos olhos enquanto disse:

    — Estamos recebendo queixas do aranhal.

    — O que é que dizem?

    — Dizem que isso só pode ser doença apanhada de outras criaturas.

    Até que decidiram: a jovem aranha tinha que ser reconduzida aos seus mandos genéticos. Aquele deva- neio seria causado por falta de namorado.

    E aconteceu. Contudo, ao invés de devorar o singelo namorador, a aranha namorou e ficou enamorada. Os dois deram-se os apêndices e dançaram ao som de uma brisa que fazia vibrar a teia. Ou seria a teia que fabricava a brisa?

     A aranhiça levou o namorado a visitar a sua colecção de teias, ele que escolhesse uma, ficaria como prova de seu amor.

    A familia desiludida consultou o Deus dos bichos, para reclamar da fabricação daquele espécime. Uma aranha assim, com mania de gente” Na sua alta teia, o Deus dos bichos quis saber o que poderia fazer. Pediram que ela transitasse para humana. E assim sucedeu: num golpe divino, a aranha foi convertida em pessoa. Quando ela, já  transfigurada, se apresentou no mundo dos humanos logo lhe exigiram a imediata identificação. Quem era, o que fazia?

    — Faço arte.

    — Arte?

    E os humanos se entreolharam, intrigados. Desconheciam o que fosse arte. Em que consistia? Até que um, mais-velho, se lembrou. Que houvera tempos, em tempos de que já se perdeu memória, em que alguns se ocupavam de tais improdutivos afazeres. Felizmente, isso tinha acabado, e os poucos que teimavam em criar esses pou- co rentáveis produtos — chamados obras de arte — tinham sido geneticamente transmutados em bichos. Não se lembravam bem em que bichos. Aranhas, ao que parece. Mia Couto

(In: O fio das missangas, publicado pela Ed. Companhia das Letras)

Nos dois primeiros parágrafos do texto, destaca-se a seguinte caracterização da personagem principal, a aranha jovem:

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Questão 86 10533553
Fácil

ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019
  • EFAF Arte
  • Sugira
  • Artes Integradas Artes Visuais
  • Pintura Processos de criação

DALÍ, S. A persistência da memória. Óleo sobre tela, 24 x 33 cm. MoMA, Nova York, 1931.

Disponível em: www.arts-wallpapers.com. Acesso em: 31 ago. 2014.

 

Na pintura, o artista Salvador Dalí criou um universo fantástico ao

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Questão 81 10533521
Fácil

ENCCEJA* Ensino Fundamental - I, II, III e IV 2019
  • EFAF Arte
  • Sugira
  • Dança
  • Elementos da linguagem

MATISSE, H. A dança. Óleo sobre tela,
2,60 x 3,90 m. Museu Hermitage,
São Petersburgo, 1910.

Disponível em: www.hermitagemuseum.org. Acesso em: 11 ago. 2015.

 

Na imagem, a representação dos corpos assume a função de expressar

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Questão 9 10532395
Fácil

OBJETIVO 9º Ano - Português 2019
  • EFAF Arte
  • Sugira
  • Música
  • Artistas e Obras Elementos, Formas de Manifestação e Contextos

Texto para a questão.

 

Texto - MÚSICA NO TÁXI

 

    Prazeres do cotidiano. Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar para o seu destino (manda, não, pede por favor) e resigna-se a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão por todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando se tem pressa.

    Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.

    Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor. Cumpre agradecer a fineza:

    – Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes música e não barulho e crimes.

    – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
    – O quê?
    – Strauss. É um dos meus prediletos.
    – Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
    – Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.

    – E já lhe aconteceu desligar?

    – Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados, disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço.

    O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de executivo. Disse que precisava se concentrar, por causa de um negócio importante, e Tchaikovsky perturbava a concentração.

    – Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.

    – Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
    – Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
    Olhou-me admirado:
    – Como é que o senhor viu?
    – Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
    Virou-se com tristeza na voz:

    – Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas melhorarem este ano...

    – Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei do meu dever confortá-lo.
    – Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.

    – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até seja o mesmo que lhe pertenceu – será uma festa.

    – Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra estudar nem meia hora por dia.

    – O importante é gostar de música, tem amor e devoção por música, e está-se vendo que o senhor tem de sobra.

    – Lá isso tá certo.
    – Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, desde que cultive alguma coisa bonita na vida.

    Seu rosto iluminou-se.

    – Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando... Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.

    Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
    – Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Carlos Drummond de Andrade. Boca de luar. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 69-71.)

No trecho “O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de ‘esse troço’?”, a observação feita por um passageiro provocou no motorista

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Questão 5 10532309
Fácil

OBJETIVO 9º Ano - Português 2019
  • EFAF Arte
  • Sugira
  • Música
  • Artistas e Obras Elementos, Formas de Manifestação e Contextos

Texto para a questão.

 

Texto - MÚSICA NO TÁXI

 

    Prazeres do cotidiano. Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar para o seu destino (manda, não, pede por favor) e resigna-se a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão por todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando se tem pressa.

    Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.

    Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor. Cumpre agradecer a fineza:

    – Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes música e não barulho e crimes.

    – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
    – O quê?
    – Strauss. É um dos meus prediletos.
    – Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
    – Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.

    – E já lhe aconteceu desligar?

    – Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados, disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço.

    O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de executivo. Disse que precisava se concentrar, por causa de um negócio importante, e Tchaikovsky perturbava a concentração.

    – Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.

    – Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
    – Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
    Olhou-me admirado:
    – Como é que o senhor viu?
    – Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
    Virou-se com tristeza na voz:

    – Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas melhorarem este ano...

    – Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei do meu dever confortá-lo.
    – Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.

    – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até seja o mesmo que lhe pertenceu – será uma festa.

    – Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra estudar nem meia hora por dia.

    – O importante é gostar de música, tem amor e devoção por música, e está-se vendo que o senhor tem de sobra.

    – Lá isso tá certo.
    – Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, desde que cultive alguma coisa bonita na vida.

    Seu rosto iluminou-se.

    – Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando... Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.

    Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
    – Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Carlos Drummond de Andrade. Boca de luar. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 69-71.)

“... e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.”

 

A palavra em destaque no trecho acima significa

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Questão 3 10532202
Fácil

OBJETIVO 9º Ano - Português 2019
  • EFAF Arte
  • Sugira
  • Música
  • Artistas e Obras Elementos, Formas de Manifestação e Contextos

Texto para a questão.

 

Texto - MÚSICA NO TÁXI

 

    Prazeres do cotidiano. Quando menos se espera... Você pega o táxi, manda tocar para o seu destino (manda, não, pede por favor) e resigna-se a escutar durante 20 minutos, no volume mais possante, o rádio despejando assaltos e homicídios do dia. Os tiros, os gemidos, os desabamentos o acompanharão por todo o percurso. É a fatalidade da vida, quando se tem pressa.

    Mas eis que o motorista pega de um imprevisto cassete, coloca-o no lugar devido, liga, e os acordes melódicos dos Contos dos Bosques de Viena irrompem do fusca amarrotado, mas digno.

    Bem, não é a Nona Sinfonia nem um título menor da grande música, mas não estamos na Sala Cecília Meireles, e isso vale como homenagem especial a um passageiro distinto, que pede por favor. Cumpre agradecer a fineza:

    – Obrigado. O senhor mostra que tem satisfação em agradar aos passageiros, oferecendo-lhes música e não barulho e crimes.

    – Não tem de quê. O senhor também aprecia?
    – O quê?
    – Strauss. É um dos meus prediletos.
    – Sim, ele é agradável. O senhor está sendo gentil comigo.
    – Ora, não é tanto assim. Pus o cassete porque gosto de música. Não sabia se o senhor também gostava ou não. Se não gostasse, eu desligava. Portanto, não tem que agradecer.

    – E já lhe aconteceu desligar?

    – Ih, tantas vezes. Fico observando a fisionomia do passageiro. Uns, mais acanhados, disfarçam, não dizem nada, mas tem outros que reclamam, não querem ouvir esse troço.

    O senhor já pensou: chamar Tchaikovsky de “esse troço”? Pois ouvi isso de um cidadão de gravata e pasta de executivo. Disse que precisava se concentrar, por causa de um negócio importante, e Tchaikovsky perturbava a concentração.

    – Ele talvez quisesse dizer que ficava tão empolgado pela música que esquecia o negócio.

    – Pois sim! Nesse caso, não falaria “esse troço”, que é o cúmulo da falta de respeito.
    – Estou adivinhando que o senhor toca um instrumento.
    Olhou-me admirado:
    – Como é que o senhor viu?
    – Porque uma pessoa que gosta tanto de música, em geral toca. Seu instrumento qual é?
    Virou-se com tristeza na voz:

    – Atualmente nenhum. O senhor sabe, essa crise geral, a gasolina pela hora da morte, e não é só a gasolina: a comida, o sapato, o resto. Tive de vender pra tapar uns buracos. Mas se as coisas melhorarem este ano...

    – Melhoram. As coisas têm de melhorar – achei do meu dever confortá-lo.
    – Porque clarinetista sem clarinete, o senhor sabe, é um negócio sem sentido. Clarinete tem esta vantagem: dá o recado sem precisar de orquestra. Um solo bem executado, não precisa mais pra encantar a alma. Mas clarinetista, sozinho, fica até ridículo.

    – Não diga isso. E não desanime. O dia em que arranjar outro clarinete – quem sabe?, talvez até seja o mesmo que lhe pertenceu – será uma festa.

    – Mas se demorar muito eu já estarei tão desacostumado que nem sei se volto a tocar razoavelmente. Porque, o senhor compreende, eu não sou um artista, minha vida não dá folga pra estudar nem meia hora por dia.

    – O importante é gostar de música, tem amor e devoção por música, e está-se vendo que o senhor tem de sobra.

    – Lá isso tá certo.
    – Não importa que o senhor não seja solista de uma grande orquestra, e mesmo de uma orquestra comum. Ninguém precisa ser grande em nada, desde que cultive alguma coisa bonita na vida.

    Seu rosto iluminou-se.

    – Que bom ouvir uma coisa dessas. Agora vou lhe confessar que isso de não ser músico dos tais que arrebatam o auditório sempre me doeu um pouco. Não era por vaidade não, quem sou pra ter vaidade? Mas um sonho esquisito, sei lá. Ficava me imaginando num palco iluminado, tocando... Bobagem, o senhor desculpe. Agora a sua palavra deixou tudo claro. Basta eu gostar de música. Não é preciso que gostem de mim, nem que ela goste de mim. Obrigado ao senhor.

    Olhei o taxímetro, tirei a carteira.
    – Eu nem devia cobrar do senhor. Fico até encabulado!

(Carlos Drummond de Andrade. Boca de luar. 6. ed. Rio de Janeiro: Record, 1987, p. 69-71.)

Em “Quando menos se espera...”, sem alteração de sentido, o conectivo em destaque pode ser substituído por

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